Poemas de Jean Narciso Bispo Moura
Confidência
A provocação com
amarelo
Começou com
quando vi pela primeira vez
O seu terrível
espírito de cupim
Que come a
madeira de nossos dias
E intimida o
verde.
Que somente
viverá na ausência completa do amarelo
Enquanto isto ele
decora centenas e centenas de dicionários.
Questionamento
O que a flor faz
com a rosa
Atrás do muro?
Será que pintam
quadros
Rezam novenas
Cantam e dançam
para a chuva.
?
Eros talvez entra
e sai na casa intima
Neste momento
alguém
Engasgou a fala.
Geologia celestial
Esse chão
Esta terra
Esse composto
orgânico e inorgânico
Resumem a minha
alma
Nada além daquilo
que suja o meu dedo.
Pode levar-me a
um lugar mais longe do que esse daqui.
Jardins sonhados:
Bichos e feras
Comem em minhas
mãos
Eu que não sou
veterinário e nem tratador de animais.
70 vezes sete
mulheres amansam a minha fome de padre.
Nada disso é chão
que suja de terra o meu dedo.
Imaginar-me em
miniatura no horizonte
Afasto-me,
Abdico na linha
quase invisível
Mais longe de que
eu era
Fico do começo
Esqueço algum
ponto vital
A pedra angular
se distancia de minha íris.
Voltar para a
palavra
Ouvir a voz em
minha ida para Damasco
No lugar de Paulo
de Tarso
Parece
eqüidistante.
Arredio eu
contemplo a pedra de Jacó e a de poeta.
Que não são
travesseiros do mesmo sono.
A minha alma é
desse chão,
Dessa terra.
Que suja apenas o
meu dedo
Qualquer outro
lugar é letra apócrifa.
O jardim secreto
com leões e leopardos
Que não ignoram a
minha carne
Contentando-se
com brócolis e alfaces
Eu que não sou
tratador e nem amansador de animais.
Asas brancas
Em homens negros
Homens ruivos
Homens amarelos
Homens brancos
Não cabe na
conformação esquelética do homem
Dividi-lo entre o
teu coração e o meu.
Fatiá-lo um pouco
a cada dia
Para que o frio
Jamais consiga entortar
As nossas faces e sentimento.
Monólogo do indolente
A preguiça lambe
primeiro o solado do meu calçado
Depois os pés que
não resistem à força da sua saliva.
E se prostra no
solo do descanso.
A palavra em
movimento encontra jardim
O poeta caminha
sem um só passo.
Na vereda, no
bosque divino
Edificado com
terra e areia humana.
A peregrinação
sai como um comboio de palavras do sofá
Os olhos
acompanham
O corpo fica
A multidão de
homens de todas as cores
Fazem parte de
apenas uma folha.
O poeta quer
falar certo em língua de bêbado
Que o vento da
poesia nunca deixe de assoprar em seu rosto
A palavra como um
camaleão não tem cor fixa.
Esconde-se em
todos os lugares
E às vezes nem
está lá quando a imaginamos.
A palavra é ser
sem fronteira.
Corpo
simultaneamente presente e ausente
Em grande movimento.
O autor tem atualmente dois livros publicados "A lupa e
sensibilidade" (2002) e "Setenta e cinco para um esqueleto
poético" (2005). É Co-editor da revista virtual Anedota Búlgara, que tem
recebido autores nacionais e estrangeiros. Ele é casado e professor de
Filosofia.
www.anedotabulgara.blogspot.com
www.poetajean.zip.net







































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